Francisco Mignone

Maestro, compositor e professor brasileiro, Francisco de Paula Mignone nasceu a 3 de setembro de 1897, em São Paulo, no Brasil.
Filho de pais italianos recém  chegados ao Brasil, Mignone começou a estudar piano com o mestre Sílvio Motto e, desde os 13 anos, a apresentar-se como flautista e pianista, em pequenas orquestras, embailes e em festas.
Em 1913, inscreveu-se no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo,nas aulas de Piano, Flauta e Composição, estudando com Savino deBenedictis e Agostinho Cantu. Nessa altura, ganhou o concurso decomposição com a valsaManon e o tangoNão se impressione e, no anoseguinte, comRomance em  maior Conheceu, no Conservatório, Máriode Andrade, seu futuro colega de música, tendo os dois músicos obtido o diploma, em 1919. Nesse período, compôs muitas peças populares com o pseudónimo de Chico Bororó.Em 1920, recebeu a bolsa da Comissão do Pensionato Artístico de SãoPaulo, que lhe permitiu estudar em Milão, com Vicenzo Ferroni. Duranteessa época, compôs o seu primeiro êxito, a óperaContratador deDiamantes (1921), da qual se destaca a célebre peça do 2.º ato,Congada , e que foi estreada no Rio de Janeiro em 1923, sob a direção de RichardStrauss e executada pela Orquestra Filarmónica de Viena.
Em 1926, ganhou o 1.º Prémio no concurso da Sociedade de ConcertosSinfónicos de São Paulo com o seu poema sinfónicoNo sertão Entre 19271928 viveu em Espanha, regressando ao Brasil em 1929. Estabeleceu-seem São Paulo e, em 1933, no Rio de Janeiro, onde lecionou Regência noInstituto Nacional de Música (atual Escola Nacional de Música daUniversidade do Brasil). Efetivou, em 1939, como Professor Catedrático,permanecendo nas atividades pedagógicas até 1967.
Francisco Mignone reencontrou-se com Mário de Andrade que, como lídermodernista, o influenciou na sua posição estética. Mignone adotou, então,alguns postulados nacionalistas musicais propostos por Mário de Andrade.Na década de 30 e 40, surgem várias obras inspiradas nos ritmosfolclóricos, brasileiros e africanos, como a série de peças intituladasFantasia Brasileira Festa das Igrejas (1940),Quadros Amazónicos (1942), 12Valsas de Esquina (1938-1942, cada uma composta sobre um dos 12 tonsmenores) e o ciclo negro, do qual se destaca o bailado afro-brasileiroMaracatu de Chico Rei .
Entre 1937 e 1938, visitou a Alemanha e a Itália, regendo em Roma,Hamburgo e Berlim. Em 1942, a convite do Departamento de Estado dosEUA, visitou o país para dirigir concertos radiofónicos e contactou comvárias entidades educacionais. Na década de 50, compôs música para osfilmesMenina-Moça Caiçara de Alberto Cavalcanti e Sob o Céu da Bahiade Remani e tornou-se responsável pela direção do Teatro Municipal doRio de Janeiro. Foi um dos fundadores e professores do ConservatórioBrasileiro de Música e foi também membro e sucessor de AssisRepublicano na cadeira n.º 33 da Academia Brasileira de Música.
Nas últimas décadas da sua carreira, dedicou-se à função de regente,conferencista, pianista e compositor. Com sentido melódico e rítmico,Mignone, que foi considerado por Manuel Bandeira como o “Rei da valsa”,compôs cerca de 700 peças de música orquestral, vocal, dramática, decâmara e para piano. A sua obra vocal é das mais importantes entre oscompositores brasileiros.
Recebeu vários prémios, tais como o de Melhor Compositor de MúsicaBrasileira do Ano, em 1968, o Prémio Moinho Santista para MaiorPersonalidade da Música Brasileira, em 1972, e o Prémio Shell, no géneroerudito, em 1982.
Aos 83 anos, casou-se com a pianista Maria Josephina, com quem  tinhatocado em concertos a quatro mãos.
Francisco Mignone faleceu a 19 de fevereiro de 1986, no Rio de Janeiro.
Fonte: www.infopedia.pt/
https://www.youtube.com/watch?v=NQ0l6lSP90M

Francisco Mignone – Valsa de esquina No.12 (Arnaldo Estrella, piano)